Me lembro como se fosse ontem o dia que nos conhecemos, não que seja um grande marco na minha vida ou na sua, mas com certeza teve sua importância. Era um dia comum, sem grandes expectativas de nada novo ou extraordinário, apenas um compromisso familiar de noite. Minha prima se formara e resolvera fazer um jantar na casa dela pra comemorar com os amigos e familiares (por jantar eu digo pizza) e obviamente eu iria com meus pais e meu namorado de cinco anos, nada fora do comum.
Era ano de vestibular, as inscrições se aproximavam e eu ainda não tinha escolhido entre engenharia elétrica ou arquitetura, como sempre minha cabeça estava um puro caos. Conversa vai, conversa vem quando de repente ela me pergunta pra qual curso eu iria me inscrever e respondo que apesar de ter ido a todas as feiras de profissões de todas as universidades de Curitiba, eu ainda não tinha conseguido escolher. Então minha prima teve a ideia de me apresentar um amigo que cursava elétrica, quem sabe ele pudesse me ajudar a escolher melhor, iluminar um pouco minhas dúvidas sabe? Mal sabia ela que ele seria causa de dúvidas muito maiores no futuro.
A primeira coisa que reparei foram seus olhos: castanhos-cor-de-mel, combinando com o tom loiro escuro de seus cabelos e barba. O rosto tinha o formato perfeito misturado com aquele olhar de menino. Sua seriedade me deixou intrigada, curiosa. Por um instante me esqueci que meu namorado segurava minha mão. Por um instante me perdi na tempestade que era seus olhos castanhos-cor-de-mel. Quanto voltei a realidade apertei sua mão e me apresentei e logo em seguida me perguntei porque ele tinha me atraído. Não tinha nada a ver com meu "tipo" e nem com meu namorado.
Nos sentamos de frente um pro outro na sala de estar, meu namorado do meu lado, e começamos a conversar. Fiz todas as perguntas que me cercavam quanto à profissão, ao curso, a área que poderia atuar e ele respondeu cada uma delas com um brilho no olhar. Era óbvio que ele gostava do que fazia e que gostava da ideia de me ajudar a saber se eu também me encaixaria na profissão. O único momento que meu olhar desviou do dele foi pra olhar sua boca bem desenhada e imaginá-la colada na minha. De repente meu namorado era só um coadjuvante, pouco me importava quando ele apertava minha mão pra indicar que ainda estava ali. Volte a realidade. O que você está pensando? Você nem conhece esse cara. Seu namorado está desconfortável, faça alguma coisa sobre isso. Se mexa mulher. Pelo amor de Deus para de encará-lo e lamber os lábios.
Meu pai me arranca de solavanco do meu devaneio dizendo que é tarde e que devemos ir pra casa. Fiquei num misto de gratidão e tristeza, gratidão por me tirar do transe e tristeza ao pensar que nunca mais veria o amigo da minha prima. Começamos a nos despedir de todos e dizer o quanto foi um prazer conhecê-los, esse tipo de cordialidade altamente presente em despedidas, e eu deixei ele por último. Querido amigo imaginário, você precisa saber uma coisa sobre mim: eu sempre deixo o melhor pro final. Por que eu faço isso? Porque aí quando você chega nele é mais gostoso, se é comida você morde mais forte, se é um show sua expectativa fica mais alta. Meu pai me apressa. Corro os olhos pela sala e não o encontro. Merda. Onde ele foi? Preciso me despedir dele. Preciso? Por que eu preciso? Eu nem o conheço, que sensação mais estranha. Esses olhos são realmente lindos, nossa. Preciso demonstrar o quanto foi importante essa conversa pra ele saber que realmente me ajudou, que eu tô mais feliz agora do que antes. Ele pediu meu telefone pra conversarmos mais sobre minhas dúvidas, mas não me importo mais sobre isso. Quando um cara pede seu telefone significa que ele tem interesse, né?
Alguns dias se passaram e ele aparece nos meus amigos sugeridos do facebook, como o Mark Zuckerberg poderia saber que eu tinha conhecido ele? Adicionei. Será que ele percebeu que me interessei mais por ele do que pelo assunto? Deixa pra lá, não é como se a gente fosse conversar de novo mesmo. Vai ser só mais um daqueles amigos esquecidos do facebook, que tanto faz se estão ali ou não. Ele me aceita e eu vejo que o aniversário dele passou há uma semana, vou dar parabéns atrasado porque é educado e porque quero puxar assunto. Conversamos e conversamos até que ele pergunta se eu não quero encontrá-lo pessoalmente pra conversar melhor; óbvio que eu quero, mas o que meu namorado vai pensar? Antes que eu possa responder a mensagem meu namorado a lê e diz, num tom nervoso "é lógico que você não vai, ele tá claramente dando em cima de você". E é lógico que eu não vou, eu tenho namorado, não posso sair por aí pra conversar com conhecidos ridiculamente lindos e interessantes.
Quase dois anos se passaram e eu levei o famigerado pé na bunda. Chorei, esperneei e me perguntei porque ele não me amava mais. Como alguém deixa de amar assim, do nada? Ok, provavelmente não foi do nada, mas são cinco anos poxa. Não é possível que ele não sinta mais nada por mim. Foi 1/4 da vida dele dividida com a minha, não é possível que não me ame mais. E mesmo assim não ama. Ele não te ama mais. ELE NÃO TE AMA MAIS. E você, por que chora tanto? Será que amava mesmo ou era apego?
Finalmente decido que não tenho tempo a perder sofrendo, já chorei o que deveria, já me questionei demais. Todos os dias alguém tem o coração partido, você é só mais uma dessas pessoas. Mark Zuckerberg estranhamente me mostra aquele cara de elétrica nas imediações. Que engraçado, depois de tanto tempo ouvir esse nome de novo. Vou mandar uma mensagem, vai que ele se lembra de mim como eu me lembro dele. Vai que ele se interessa por mim como eu me interesso por ele. Vai que... Não, não crie expectativas, nem comece a pensar nisso. Conversamos e percebo que quero vê-lo pessoalmente, dessa vez nada me impede de colar naquela boca. Ele me chama pra sair (estranhamente inclui meu namorado no convite), eu aceito e aproveito pra informar que estou solteira e deixar claro meu interesse.
Passo a semana ansiosa esperando pelo sábado que combinamos nos encontrar na balada. Não é como se fosse um encontro, mas com certeza iam rolar uns beijos. Finalmente chegou o dia e, minha nossa, o que eu faço quando ver ele? Nunca fiz isso antes e não tenho ideia de como agir, chego beijando ou cumprimento como amigo? Vou deixar que ele tome uma iniciativa, decido, enquanto tento ficar calma. Por que eu tenho que ser essa pilha de ansiedade? Ele chegou. Fodeu. Fodeu. Fodeu. Calma, fica calma, não é nada demais. Não é um encontro e ele não vai ser seu namorado nem nada, relaxa mulher. Senti uma mão na minha cintura, tremi da cabeça aos pés. É ele, com certeza é ele, e de repente fico com medo dele não ser tudo o que eu me lembrava. Me viro e mal tenho tempo de dizer "oi" quando ele me puxa pra perto e me dá um beijo. Sinto suas mãos na minha cintura me apertando e seu corpo pressionado contra o meu enquanto brinco com os dedos nos seus cabelos. Nossa, que beijo, mal consigo respirar. Há quanto tempo eu não sentia isso com alguém, há quanto tempo eu não ficava sem fôlego. A noite passa num piscar de olhos, entre beijos e amassos bem dados eu me esqueço onde estou e, juro que por um instante, esqueço até meu nome. Quando chego em casa ainda não consigo acreditar como tudo mudou de repente; semana passada nesse mesmo horário eu chorava por um amor não correspondido. Agora eu tenho um sorriso idiota na cara e me sinto de novo como uma adolescente, é engraçado e assustador.
Se tem uma coisa que me faz perder o interesse é gente que não responde minhas mensagens. E ele nunca foi de responder na hora, mas visualizar e não responder era novidade. Será que ele só queria uns beijos e tchau? Que decepção, se eu quisesse só isso teria pegado qualquer gato aleatório na balada. Mando uma mensagem e espero ele responder. Espero. Espero. Finalmente ele responde, e é um choque! Ele diz na minha cara que só quer sexo casual e que não está "disponível" emocionalmente, boba eu que não percebi na hora o que isso significava. O que eu queria no momento era um amigo, namorar estava no último lugar da lista "o que fazer" de solteira.
Nossos horários malucos pareciam impossíveis de se encaixar e eu já estava subindo pelas paredes de vontade e ansiedade, até que (finalmente) conseguimos nos encontrar e rolou a continuação que eu tanto esperava. Foi... Decepcionante. Não sei se por idealizar demais, esperar demais ou por estar nervosa demais, mas não consegui "chegar lá" com ele. Parecia que não estávamos em sintonia, por mais que rolasse química e desejo de ambas as partes. Tentei não pensar muito nisso e esperar que a intimidade fizesse as coisas fluírem melhor, ledo engano. Tinha alguma coisa errada, alguma coisa faltando ali. Não sei dizer o que tinha de errado comigo, ele era lindo, gostoso e tinha pegada, então porque eu não conseguia sentir nada? Passaram-se alguns dias e ele já não falava tanto comigo, principalmente depois do feriado. Nada diferente do esperado, mas mesmo assim perguntei se íamos sair na quarta como o combinado, quando ele só visualizou e não respondeu eu entendi o recado. Tudo bem, eu sabia que acabaria tão de repente quanto começou e eu não sentia nada por ele (pelo menos não deveria sentir).
Chegou o sábado da outra semana e era aniversário da minha amiga, combinamos de nos encontrar no James com a ideia de só ir embora quando a casa fechasse. Quando entramos levei um susto, adivinha quem estava lá no bar de cara pra mim. O dono dos olhos castanhos-cor-de-mel mais lindos que eu já havia visto. Tive vontade de rir da cara de choque que ele fez, mas ao invés disso sorri com o meu mais lindo sorriso que diz eu-estou-ótima-sem-você e fui na direção dele, dei-lhe um beijo no rosto e saí. Não sei porque mas eu estava completamente irritada e nervosa, me sentindo trocada. Qual é, pelo que eu vi ela nem é tão bonita quanto eu e com certeza não é tão boa na cama. Droga, vou ter que beber pra esquecer esse turbilhão de emoções que não deveriam estar aflorando. Minha amiga o descreve e diz que está olhando na nossa direção enquanto dançamos. Isso mesmo, baba baby. Como se ele se importasse, é claro que não liga; ele está com outra pessoa. Aliás, por que eu quero que ele se importe? Encho a cara e de repente me sinto mais leve, capaz de fazer qualquer coisa e capaz de conquistar qualquer um que meu coração quiser. Beijo o primeiro cara bonito que vejo e imediatamente me arrependo. Acontece que a pessoa que eu quero está acompanhada de outra, me trocou por outra. Idiota, burra, ingênua. Você sabia que não havia nada entre vocês, então por que continua de sentindo substituída? O teto começa a girar e a música fica abafada, me forçando a sair da pista de dança e correr pra um abrigo. Eu preciso ficar sozinha. Vou ao banheiro e me sento tentando respirar, tentando acalmar meu peito que bate igual um tamborim de escola de samba. Que dor enorme me atinge, parece que o buraco aqui dentro está ainda maior do que antes. Estou bêbada, não posso chorar e borrar minha maquiagem, não passei horas me arrumando pra minha noite acabar desse jeito. Não consigo segurar e desabo abraçando minhas pernas contra meu peito. Passo alguns minutos soluçando até que uma garota me convence a abrir a porta e conversar com ela. Ela me acalma e me convence a não estragar tudo por um cara qualquer, porque é isso mesmo que ele é: só um cada qualquer com quem eu estava passando um tempo. Levantei a cabeça e aproveitei a noite como se fosse a última, sem sequer lembrar que ele estava lá, me proibindo de sentir ciúmes de algo que nunca me pertenceu.
Chega o domingo e eu acordo mais sã, questionando-me dos acontecimentos da noite anterior e do porquê haviam me afetado tanto. De repente nada mais faz sentido, o que eu tinha pra gostar nele? Nem sabia seu filme e livro favorito, qual cor gostava mais ou qual música fazia seu coração palpitar. Ele nem sequer sorria ou me fazia sorrir, não me fazia querer morar dentro do seu abraço. Acho que nem chegamos a nos abraçar verdadeiramente nesse breve período que nos envolvemos. Não havia nada pra se gostar ali, não havia nada nele. Os dias foram passando e cada dia eu me sentia mais tola por ter gastado minhas lágrimas por um desconhecido, cheguei até mesmo a gargalhar contando do acontecido à minha melhor amiga. Senti vergonha de mim mesma, mas não deixava de ser engraçado pensar como eu faço tempestade em copo d'água por qualquer coisinha. Quando finalmente paro de pensar sobre o acontecido eu recebo uma mensagem dele, perguntando se estou bem e logo em seguida um texto se explicando. Meu coração aperta de nervoso, não quero abrir e ler algo que vai me fazer cair de novo. Levo algum tempo pra me acalmar e abro as mensagens, leio umas duas ou três vezes pra acreditar no que tava escrito. Aparentemente ele tinha um relacionamento aberto e eles tinham resolvido fechar nesse feriado, após quase um ano de envolvimento. Ele poderia ter me contado que tinha um relacionamento aberto antes de eu entrar nessa, poxa. Achei estranho e me questionei porque alguém fica com outras pessoas se já está apaixonado, isso é algo que não faz sentido pra mim como essa garota boba que acredita na fidelidade e no amor. Passo mais ou menos um dia me questionando se deveria responder e questioná-lo ou não, afinal havia só uma curiosade, não necessidade em saber da resposta. Perguntei pra minha amiga o que ela achava e ela disse que nenhum homem seria capaz de me recusar porque sou, nas palavras dela, "gostosa demais". Seria legal se fosse esse o motivo dele, quer dizer que sou atraente de verdade e não é só minha mãe que me acha bonita. Resolvi perguntar e dizer que ele não me devia explicações (porque não devia mesmo) e esperei uma resposta que me fizesse bem a autoestima. Foi assim que eu percebi quão sem graça ele é - não foi o fato dele não responder minhas piadas de duplo sentido ou não parecer afetado com minhas indiretas/diretas picantes que eu jogava pra cima dele - com a resposta mais sem graça do universo. "Ela não mora aqui, então é complicado.", o que eu vi mesmo nele? Lá estava eu rindo da própria cara, aliviada por ter levado um fora e por perceber que não passava de fantasia quando achei que estava apaixonada.
Foi então que eu percebi que ele é como um daqueles quadros do pontilhismo que quando visto de longe te impressiona e fascina, mas quando você se aproxima fica sem forma e sem graça. Perde a essência do que o fez ser belo e atraente ao olhar.
Ele era como uma obra impressionista e me fez descobrir que prefiro muito mais a loucura do surrealismo.
Ela é puro caos
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Eu prefiro o surrealismo
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Sobre seus beijos
Vem e me pega, me beija, me encoxa
Se esfrega em mim e me faz ter medo dos meus próprios desejos
Não fale nada, apenas me olhe e lambe esses lábios gostosos mostrando que me quer enquanto seus olhos percorrem meu corpo
Do mesmo jeito que te quero enquanto meus olhos percorrem o seu
Agarra minha bunda, me aperta e me morde, me puxa pra perto e segura meu cabelo enquanto beija meu pescoço
Não precisa me ligar, nem mandar mensagem nem nada do tipo
Mas deixe claro quando me quer e faça alguma coisa quando eu dizer que quero que você me coma gostoso
Não é pedir demais, é?
Sem você
Ontem seria nosso aniversário de namoro, não de um ano a mais, mas de mais um mês ao seu lado. Pode parecer bobagem, mas nós nunca deixamos de comemorar mais um mês juntos. Mesmo depois de quatro anos, cada mês importava, cada dia 7 amanhecia com uma felicitação e um "eu te amo".
Hoje faz dois dias que eu te deixei ir. Faz dois dias que eu repito incessantemente a música "Eu Esqueci Você", numa tentativa desesperada de convencer meu coração a te esquecer de repente e faz dois dias que meu cérebro insiste em me lembrar de cada pedacinho seu, de cada momento bom ao seu lado. Faz dois dias que eu durmo agarrada àquela sua blusa velha que eu roubei há uns dois anos, só porque tinha seu cheiro. Faz dois dias que me arrependo de ter tomado essa decisão.
Eu sei que você quis que continuássemos amigos, você não queria que eu saísse da sua vida e eu não queria que você saísse da minha. Mas infelizmente eu não sou madura como você. Não sei fingir que não me importo que você saia sem mim. Não sei ser só "parte da sua vida" quando você é tudo na minha. O que eu faço com essa vontade de te abraçar forte que me avassala todas as madrugadas sem você? Amigo não liga às 3h da manhã pra dizer que está com saudades do seu cheiro, da sua voz. E quanto aos planos que fiz pra nós? Já planejei cada filme e seriado que quero ver com você, te conhecendo como conheço eu sei que você também gostaria de ver comigo.
Eu queria que você tivesse falado o quanto eu era maluca por achar que não damos mais certo e me abraçasse, me beijasse. Então nós faríamos um sexo só nosso, que demonstrasse todo o amor desesperado que sentimos. Ao invés disso você olhou pra baixo e disse que eu tinha razão. Me perguntou porque eu cheguei feliz e o que eu esperava indo te ver, bom, pode parecer bobo mas eu esperava que você lutasse por mim uma última vez. Mas você não lutou.
Você me disse que se eu estivesse me sentindo muito sozinha poderia vir me ver, o problema é que só não me sinto sozinha quando você está comigo. Só que eu fiz você abrir mão da vontade de não me deixar sozinha. Eu até fiz você me bloquear nas redes sociais, só pra eu não conseguir voltar atrás nessa decisão precipitada que foi a nossa separação.
Eu sei que você me conhece como a palma da mão, mas não consigo deixar de me perguntar se você sabe que passo as noites em claro sentindo sua falta. Sua ausência tornou presente a vontade de melhorar, de voltar a ser quem eu era pra poder estar ao seu lado como você esteve por mim.
Como eu gostaria de te enviar esse email (que você provavelmente não leria), só pra você saber que eu não desisti de nós dois. Que por não conseguir desistir de nós eu continuo usando nossa aliança e não mudo meu status no facebook.
Repito as palavras que uma vez você dirigiu a mim: é cedo ou tarde pra se arrepender?
Mentira
Tantas vezes eu já disse que estava tudo bem, que eu não sentia sua falta.
Eu falei que não pensava em você e que meu coração não doía lembrando de nós dois, juntos no parque olhando pro céu.
Já repeti pra mim mesma que vai passar e que você não era tão perfeito assim.
Quantas vezes eu fechei os olhos e fingi que não lembrava do seu cheiro, do seu gosto e da sua feição enquanto dormia.
O mesmo tanto de vezes eu jurei que não ia chorar dessa vez porque você não merecia minhas lágrimas.
Sem querer você continua me fazendo viver num loop de expectativas X realidade, que nem naquela cena de 500 dias com ela.
Você se lembra? Foi o primeiro filme que a gente viu junto, foi a primeira vez que eu senti que do seu lado qualquer coisa era melhor.
Agora passo noites e dias vazios, tentando preencher sua ausência com trivialidades e falhando miseravelmente em não lembrar de você quando vejo algo ou alguém que me lembra nós dois.
Até mesmo andar sozinha (uma coisa que eu fazia sem problemas) pelos mesmos caminhos que eu fazia com você me dá um aperto no peito, até parece que vou morrer.
Como toda vez que olho a droga do meu cartão de ônibus que carrega o seu nome.
Assim como a droga do meu coração.
Nostalgia
São quase 6h da manhã de uma sexta feira e ainda não consegui dormir, lá se foi mais uma noite tentando te esquecer (e falhando miseravelmente). Meu coração concluiu que não tem problema faltar a uma aula ou outra, "cálculo se aprende nos livros" disse ele. Meu cérebro estava tão cansado que dessa vez nem se deu ao trabalho de discordar, se rendeu e deixou os meus pensamentos fluírem sem rumo. Infelizmente meus pensamentos fluem na sua direção. Seus olhos, seu sorriso, o som da sua risada. Quando fecho meus olhos quase consigo fingir que você está aqui, mas não sentir seu toque por tanto tempo me puxa de volta pra realidade.
Zerei novamente a contagem de dias sem chorar (e olha que eu já tinha conseguido marcar "01" no meu placar mental). Achei que ia conseguir passar mais de 24 horas me convencendo de que está tudo bem, fingindo que não me importo. Quem sabe eu conseguisse se não tivesse vindo pra cama. A hora de dormir é pior que as outras que compõem meu dia porque eu não tenho mais você, então acabaram seus 'boa noite's, que levaram junto nossa conversa furada ao final do dia. Começo a desconfiar que eu só dormia bem porque você me desejava bons sonhos.
Tenho medo de dormir e sonhar de novo com você. Meus devaneios me fazem acreditar que tudo não passa de um sonho ruim. Pelo menos, nesse curto espaço de tempo em que o sono começa a chegar eu sou brevemente feliz com nossas lembranças, umas bem antigas e outras nem tanto, mas todas igualmente reconfortantes. De repente sou arremessada para os dias em Barra Velha ou os fim de semana em Itapoá. Você me fez voltar a amar ir à praia, principalmente porque era onde estávamos o tempo todo juntos (quando isso mudou as viagens já não me interessavam tanto assim, me desculpe o egoísmo, mas gosto de te ter inteiramente pra mim). Mas agora estou fadada a acordar sem você, por isso tenho medo de abrir meus olhos. E agora são só essas lembranças que nos ligam um ao outro.
Vá em frente, me chame de viciada, mas essa é minha dose diária de você. Não chega nem perto de ser suficiente, mas é infinitamente melhor do que não ter mais nada seu. Inclusive gostaria de agradecer àquela blusa velha que você me deu, ela tem sido uma ótima ouvinte nesses dias. O triste é que ela já dormiu tanto comigo que hoje em dia tem mais o meu cheiro do que o seu e devo dizer que isso me deixa mais infeliz, estou te perdendo de novo.
Você se lembra que eu gostava de dormir antes de te conhecer? Agora que te perdi é ainda melhor. Não me leve a mal, é que não tenho mais motivos pra querer ficar acordada. Viver novamente uma rotina de não ter ninguém pra estar junto simplesmente não me interessa nem me conforta mais.
Meus dias são vazios sem você, e dói ainda mais nas noites chuvosas quando me vejo sozinha comentando sobre os filmes da Netflix.
Fica
Ei, fica mais um pouco
Tá muito cedo pra você ir embora
Fica, eu faço aquela limonada que você tanto gosta.
Por que você vai embora?
Ah, você precisa ir... É claro que eu entendo que você tem uma vida sem mim, não, tá tudo bem, pode ir
Volta quando tiver mais tempo, eu espero você.
Oi, como você está?
Pois é, tô te ligando porque senti sua falta
Queria saber se a gente pode se ver, apesar dessa situação...
Ah, não, eu entendo
Eu sei que é difícil, mas eu sinto sua falta
Só queria te ver um pouquinho
Nem por cinco minutos?
Eu não queria te incomodar, mas você quer tomar um chá?
Eu sei, mas... É só um chá, ou café se você preferir.
Que bom que você veio!
Eu senti tanto a sua falta
Não, eu sei, mas... Espera
Me espera
Por favor, não vá
Por favor,
Fica.
Toda história tem um começo
Talvez eu realmente seja meio lerda como dizem ou talvez eu esperava mais do que ele tinha a oferecer (como eu sempre faço). Talvez eu só tivesse medo de ficar sozinha e de não encontrar mais ninguém. Ou talvez não seja nada disso e eu só tenha esquecido que haviam outras opções além de estar junto de alguém.
Demorei um tempo pra perceber que os porquês não importam e sim o que você resolve fazer depois que cansa de se perguntar o que fez de errado ou o que deixou de fazer pra pessoa parar de te amar. Ela simplesmente não te ama mais, isso não é sua culpa e agora pouco importa aquela vez que você deixou de sair com os amigos dele porque queria ficar em casa com seus gatos, ou aquela vez que você preferiu beber com suas amigas a uma noite a dois com ele. Essas coisas estão no passado e é lá que elas devem ficar.
Semana passada fez um mês que ele decidiu que seria melhor sem mim. Fez um mês que me sinto a pessoa mais solitária do mundo, como se tivesse um buraco no peito. Buraco esse que diminui a cada dia, é verdade, mas ainda está aqui e há momentos que ele dói tanto que procuro desesperadamente amores passageiros pra preenchê-lo, nem que seja só por algum momento. Tem dias que eu bebo só pra que essas palavras de não jorrem pra fora de mim; prefiro ficar bêbada e não pensar do que ser deixado sozinha com meus pensamentos. Pode me julgar, eu preciso mesmo me acostumar que nem todo mundo gosta da gente e que não é possível agradar a todos.
Entenda, eu sempre fui essa pessoa exagerada, complicada e desesperada. Na mesa do bar eu sou aquela garota que não precisa beber muito pra achar que todo mundo é amigo, eu já confio em qualquer um sóbria, imagina embriagada. Sou aquela que numa hora chora de rir e no minuto seguinte pede um ombro pra chorar quietinha. Não gosto de guardar meus sentimentos pra mim, sinto não ser capaz de aguentar eles sozinha.
Pra você ver como eu não aguento, resolvi criar um diário virtual pra parar de incomodar meus amigos no facebook com minhas lamúrias. Você será meu amigo imaginário, alguém que nunca vai me deixar só até eu aprender que tudo bem estar com a própria companhia. Tipo em supernatural, os "zanas" se não me engano.
E ah, eu também queria um lugar pra postar coisas que eu escrevo quando fico triste, que diga-se de passagem são mil vezes melhores do que as outras coisas que escrevo. Enfim, se você estiver lendo se sinta abraçado! É um prazer te conhecer e não desiste de mim não, prometo que tenho coisas melhores pra te contar.